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#NuncaMais | Destaque - 08/nov/2018

Descrição da imagem - com Alyne Admin

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Janaina Soares morreu de depressão. O seu coração parou por conta do que fizeram com o seu filho, o Cristian, 13 anos executado em Manguinhos, quando jogava bola. Janaina não aguentou. Primeiro foi o seu marido, confundido e no ano seguinte seu filho primogênito. Fica agora o seu caçula, o Caíque, com a avó. Choram e reagem as “Mães de Manguinhos ” e todas nós. Tristeza mata e a justiça mata mais ainda. Negras, negros. Até quando muitos mais têm que morrer para essa guerra acabar? Dor

Em 2015, Christian, 13 anos, saiu para jogar bola e tomou um tiro no peito durante uma operação policial em Manguinhos, onde morava. Durante o enterro da criança assassinada por um Estado racista, sua mãe, Janaina, passou mal. Enquanto era amparada, gritava: “meu filho, acorda! Meu filho, acorda!” Christian não acordou. Nós não acordamos.

Três anos depois, domingo, 4 de novembro, Janaina viu a Polícia Militar assassinar um adolescente de 17 anos a poucos metros de sua casa. Chegou a enviar fotos do corpo da vítima para as suas companheiras do Mães de Manguinhos, tentando identificá-lo, em vão – o menino não era morador da favela. Provavelmente isso a fez reviver o seu calvário, e Janaina começou a passar mal ontem, segunda-feira, mas não quis ir ao médico.

Desesperançada e despedaçada desde que perdeu seu filho, Janaina morreu hoje pela manhã, após sofrer seis paradas num coração que já não era mais o mesmo desde que perdeu o seu menino.

Sempre que alertamos sobre o perigo de ideias fascistas na boca de candidatos mal-intencionados e de eleitores ignorantes, é por causa de um cenário como esse. O racismo não mata apenas na bala: todos nós morremos um pouco sempre que uma chance é negada, ou quando uma “piada” é feita de maneira “inocente”, ou quando perdemos um colega, um amigo, o pai. O filho.

E aí, como se criança morrendo não fosse dilacerante o suficiente, como se já não houvessem mortes demais, inclusive de policiais, o RJ elegeu um governador cujas propostas giram em torno de “abater” quem estiver armado, “mirar na cabecinha” e pronto, entre outras soluções preguiçosas, criminosas, racistas e demagogas que só vão matar mais gente, mais policiais, mais crianças.

Um presidente que quer distribuir armas, um governador que quer atirar em quem estiver armado. Vai dar certo sim.

Desculpa, Janaina. Será por você.

Por Marcelo David Macedo